
Eu, as andorinhas e a cidade
Partir em passos largos
Acelerei e levantei vôo
Num bater de asas
O mar e a cidade
Minha casa, o cais
Já tão longe o jardim
As flores e a favela
Em um só plano
Me junto às andorinhas repousadas
Sobre fios de alta tensão
Vigiando abstrata discrepância
Desse lugar concretizado
****
A igreja e o prostíbulo,
A escola e o portão da fábrica
O condomínio e a cadeia
Faces de um só rosto
Piscinas no alto de prédios
Barracos no alto de morros
Morro no alto do tédio
Acordo pedindo socorro
Serenatas e assaltos
Poetas e malandros
Faróis e pelourinhos
Índios e importados
Livros e cassetetes
Rios e marginais
Sambas e sirenes
Algemas e redentor
****
De certo somente a saudade
Que me trará de volta
No próximo verão
Eu e meus pensamentos
Eu e as andorinhas...
Thiago Alberto, Salvador, Novembro de 08
2 comentários:
A partida sempre deixa uma saudade que dói.
Mas como cresceremos se não partirmos? Sair da gente, mudar pra se encontrar de verdade, inteiramente!
Um ótimo aconchego este seu inverno, hein?! Parabéns!
Beijos
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